MUITO EXTRANHO
Alunos reclamam atraso de bolsas
Projeto Escola de Fábrica prometia R$ 150 por mês, mas ainda não chegou às contas dos estudantes
Denis FariasRolim de Moura
Um grupo de alunos do projeto Escola de Fábrica em Rolim de Moura procurou a imprensa essa semana para denunciar o atraso no pagamento das bolsas de estudos. Desde o início do ano, nenhum dos 40 estudantes matriculados recebeu os R$ 150 por mês prometidos pela coordenação local. Sem material didático, eles também foram obrigados a tirar cópias das apostilas dos professores, que também estão com seus salários atrasados.
O Escola de Fábrica é um projeto que usa recursos do MEC para capacitação técnica de alunos que estão cursando ou que saíram recentemente do ensino médio. No ano passado foram abertas 40 vagas, 20 para o curso de vendas e outras 20 para o curso de gêneros alimentícios. As aulas iniciaram no início de janeiro. Em Rondônia a responsabilidade do gerenciamento da idéia ficou por conta da SEDUC e os estudantes têm aula no prédio do CEEJA todos os dias pela manhã.
Tiago Ferreira foi um dos estudantes que procurou a redação do Diário em Rolim de Moura para que explicações fossem cobradas. Segundo ele, logo no primeiro mês, dinheiro e material não vieram, foi quando começaram os problemas. “Muitos deixaram o emprego para fazer esse curso e dependiam dessa bolsa. Aliais, todos são de baixa renda, que era uma das exigências para estar aqui. Só queremos saber o que realmente está acontecendo”, disse.
O grupo ao qual Tiago faz parte também conta que havia cansado de receber explicações confusas. A cada semana de atraso, novas explicações diferentes eram dadas para o mesmo problema. E lá se foram três meses de atraso também no pagamento dos professores. “Fica uma situação difícil porque estamos dando aula por amor a esses alunos. Mesmo sendo pouco tempo, achamos que a turma não poderia ser penalizada por uma falha de quem organiza esse projeto”, explicou Camila Camargo, professora do curso.
A coordenadora pedagógica da SEDUC de Rolim de Moura, Luciane Camargo, explicou que pequenos erros e muita burocracia acabaram emperrando alguns pontos do projeto. Sobre o pagamento dos professores, ela disse que o problema ficou por conta do atraso da aprovação do orçamento da União para este ano e que o dinheiro deverá ser depositado para os professores até o dia 15 deste mês. Já sobre o atraso das bolsas, a culpa teria sido do excesso de exigências do MEC.
“Como é dinheiro federal, a Caixa Econômica é que fará esse pagamento. Cada aluno teve que tirar CPF e RG, aqueles que não tinham, e foram abertas contas no nome deles. Isso ainda no ano de 2007. Como alguns deles não fizeram a declaração de isento do Imposto de Renda no ano passado, o CPF deles ficou irregular na Receita Federal. Com isso o Ministério da Educação acabou bloqueando o pagamento de todos os inscritos nesse projeto no Estado”, enfatiza.
Já no caso do material didático, outros problemas. Luciane diz que por duas vezes as apostilas confeccionadas por uma empresa terceirizada não foram aprovadas pela coordenação do projeto na capital. Elas tiveram que ser refeitas e já estão no município à disposição dos alunos. “Esses erros acontecem em todos os projetos pilotos como esse. No próximo, que já estamos fazendo a seleção dos alunos, temos certeza que isso não vai acontecer”, garantiu.

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