ROLIM DE MOURA
Jovem apenado se enforca na prisão
Rapaz de 20 anos havia sido preso por violentar um menino de quatro anos de idade
O presidiário Alexandro da Silva, 20 anos, foi encontrado morto em sua cela, no mini-presídio regional de Rolim de Moura, na última quarta-feira, 30/01. Ele estava nu, tinha um lençol amarrado pelo pescoço e hematomas pelo corpo. O rapaz, que havia sido transferido da Casa de Detenção naquele mesmo dia, estava preso por violentar um garoto de quatro anos de idade no último domingo, 27/01. A Polícia Civil e o Ministério Público abriram inquérito para apurar o possível suicídio.
Segundo o diretor da unidade, Adeilso dos Santos, o rapaz chegou ao presídio por volta do meio dia e meia da quarta-feira. Como de costume, toda sua roupa foi tirada e ele foi colocado sozinho e nu, na cela conhecida como tampão. Em determinado momento daquela tarde, ele teria pedido um lençol a um outro detento, que estava isolado com suspeita de tuberculose. O outro apenado lhe deu o lençol e Alexandro teria utilizado o tecido como forca.
“Quando presos com essas características vêm para cá, automaticamente tomamos essas precauções. Deixar ele sem roupa evitaria que ele pudesse se matar. Acontece que o outro detento não sabia que ele estava abalado psicologicamente. O rapaz pediu o lençol porque estava com frio e ele deu sem suspeitar de nada”, explicou o agente penitenciário.
O corpo só foi encontrado pelos carcereiros às 17h, quando serviam o jantar. Imediatamente uma equipe da perícia da Polícia Civil foi deslocada para o local, assim como o Promotor de Justiça, Marcelo Guidio, que havia solicitado a transferência do rapaz. Nesta quinta-feira, em entrevista ao Diário, ele confirmou dias antes da morte, recebeu uma denúncia anônima, dizendo que Alexandro estava sendo molestado e espancado dentro da Casa de Detenção.
“Esse menino foi preso no domingo, dormiu dois dias lá na casa de detenção, assim que recebi a denúncia eu de imediato procurei saber se era verdade. Pedi para o delegado Olício de Paula averiguar se aquela denuncia era verdade e comprovando o fato, pedi que o transferissem com urgência para o presídio, o que foi atendido pelo juiz da vara de execuções penais, João Batista, na quarta-feira”, lembra.
Na primeira vez que o delegado conversou com Alexandro, ele disse ter sofrido violência sexual e física dentro da cela da Casa de Detenção. O rapaz estava preso junto com outros oito detentos. No dia seguinte, quando tomaria seu depoimento oficial, se negou a fazer o exame que comprovaria as agressões e disse que não havia nada a reclamar. “Imperou a Lei do silêncio mais uma vez”, completou Olício.
Quando foi encontrado, o corpo de Alexandro tinha diversos hematomas nas pernas, nádegas e costas. Suas sobrancelhas, cabelos, pelos das pernas e das axilas estavam raspados. A perícia médica, feita após a morte, concluiu que o rapaz realmente havia sofrido violência sexual dentro da Casa de Detenção. Marcelo Guidio disse que vai acompanhar de perto o inquérito aberto para apurar a real causa da morte do preso.
“São três hipóteses a serem consideradas. A primeira, de homicídio mesmo, de alguém ter enforcado esse rapaz na cadeia; a segunda, de alguém ter incentivado ele a se matar, ou ter ajudado nisso, lhe dando o lençol e a terceira, de ele realmente ter tirado a sua própria vida, usando o artefato que o outro detento havia lhe emprestado. Tudo vai depender do depoimento das testemunhas”, concluiu o promotor.
Assista o vídeo da reportágem...

0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial