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31 de janeiro de 2008

ROLIM DE MOURA
Jovem apenado se enforca na prisão
Rapaz de 20 anos havia sido preso por violentar um menino de quatro anos de idade
Denis Farias
Rolim de Moura
O presidiário Alexandro da Silva, 20 anos, foi encontrado morto em sua cela, no mini-presídio regional de Rolim de Moura, na última quarta-feira, 30/01. Ele estava nu, tinha um lençol amarrado pelo pescoço e hematomas pelo corpo. O rapaz, que havia sido transferido da Casa de Detenção naquele mesmo dia, estava preso por violentar um garoto de quatro anos de idade no último domingo, 27/01. A Polícia Civil e o Ministério Público abriram inquérito para apurar o possível suicídio.
Segundo o diretor da unidade, Adeilso dos Santos, o rapaz chegou ao presídio por volta do meio dia e meia da quarta-feira. Como de costume, toda sua roupa foi tirada e ele foi colocado sozinho e nu, na cela conhecida como tampão. Em determinado momento daquela tarde, ele teria pedido um lençol a um outro detento, que estava isolado com suspeita de tuberculose. O outro apenado lhe deu o lençol e Alexandro teria utilizado o tecido como forca.
“Quando presos com essas características vêm para cá, automaticamente tomamos essas precauções. Deixar ele sem roupa evitaria que ele pudesse se matar. Acontece que o outro detento não sabia que ele estava abalado psicologicamente. O rapaz pediu o lençol porque estava com frio e ele deu sem suspeitar de nada”, explicou o agente penitenciário.
O corpo só foi encontrado pelos carcereiros às 17h, quando serviam o jantar. Imediatamente uma equipe da perícia da Polícia Civil foi deslocada para o local, assim como o Promotor de Justiça, Marcelo Guidio, que havia solicitado a transferência do rapaz. Nesta quinta-feira, em entrevista ao Diário, ele confirmou dias antes da morte, recebeu uma denúncia anônima, dizendo que Alexandro estava sendo molestado e espancado dentro da Casa de Detenção.
“Esse menino foi preso no domingo, dormiu dois dias lá na casa de detenção, assim que recebi a denúncia eu de imediato procurei saber se era verdade. Pedi para o delegado Olício de Paula averiguar se aquela denuncia era verdade e comprovando o fato, pedi que o transferissem com urgência para o presídio, o que foi atendido pelo juiz da vara de execuções penais, João Batista, na quarta-feira”, lembra.
Na primeira vez que o delegado conversou com Alexandro, ele disse ter sofrido violência sexual e física dentro da cela da Casa de Detenção. O rapaz estava preso junto com outros oito detentos. No dia seguinte, quando tomaria seu depoimento oficial, se negou a fazer o exame que comprovaria as agressões e disse que não havia nada a reclamar. “Imperou a Lei do silêncio mais uma vez”, completou Olício.
Quando foi encontrado, o corpo de Alexandro tinha diversos hematomas nas pernas, nádegas e costas. Suas sobrancelhas, cabelos, pelos das pernas e das axilas estavam raspados. A perícia médica, feita após a morte, concluiu que o rapaz realmente havia sofrido violência sexual dentro da Casa de Detenção. Marcelo Guidio disse que vai acompanhar de perto o inquérito aberto para apurar a real causa da morte do preso.
“São três hipóteses a serem consideradas. A primeira, de homicídio mesmo, de alguém ter enforcado esse rapaz na cadeia; a segunda, de alguém ter incentivado ele a se matar, ou ter ajudado nisso, lhe dando o lençol e a terceira, de ele realmente ter tirado a sua própria vida, usando o artefato que o outro detento havia lhe emprestado. Tudo vai depender do depoimento das testemunhas”, concluiu o promotor.


Assista o vídeo da reportágem...

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